Os resultados das eleições gerais de 2026 expõem uma questão política relevante para Navegantes: a aparente falta de emancipação política em relação à vizinha Itajaí. Apesar de ter se emancipado administrativamente há 64 anos, a cidade parece ainda sofrer influência política da antiga "cidade-mãe". O principal nome político de Navegantes na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, Liba (PSD), obteve 39,36% dos votos válidos em seu município, mas uma parcela considerável desses votos foi direcionada a candidatos de Itajaí.

Liba alcançou 32.689 votos em Santa Catarina, ficando na primeira suplência do PSD. Desses, 26.515 foram de eleitores da região da AMFRI, e 18.597 votos vieram especificamente de Navegantes. No entanto, a análise dos votos em Navegantes revela que candidatos de Itajaí, como Ana Campagnolo (PL), Osmar Teixeira (PODE) e Anna Carolina (Republicanos), somaram milhares de votos no município, demonstrando uma divisão na preferência eleitoral local.

A notícia aponta que, se parte dos votos destinados a outros candidatos tivesse sido concentrada em Liba, o resultado poderia ter sido suficiente para sua eleição, superando a diferença de 2.260 votos para o terceiro colocado do PSD. A falta de um representante eleito para a Assembleia Legislativa contrasta fortemente com a força econômica de Navegantes, que figura como a 14ª maior economia de Santa Catarina. Contudo, o município aparece em uma modesta 113ª posição em recebimento de emendas estaduais entre 2021 e 2026, com pouco mais de R$ 9 milhões, enquanto cidades como Camboriú, com representante na Assembleia, receberam mais de R$ 27 milhões no mesmo período.

Essa disparidade entre o potencial econômico e a representatividade política levanta um questionamento urgente para Navegantes: até quando a cidade sustentará seu crescimento econômico sem a devida força política para garantir recursos e atenção na esfera estadual? A reflexão se estende à necessidade de que o município priorize o coletivo e a representação local em detrimento de disputas partidárias, a fim de evitar que cidades vizinhas, com menor porte econômico, mas com representantes eleitos, continuem a obter vantagens significativas.