Os estaleiros localizados em Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina, emergiram como protagonistas na reindustrialização naval do Brasil, registrando um expressivo aumento no número de empregos e superando os patamares de 2014. Este avanço marca um ponto de virada após mais de uma década de estagnação, período que foi agravado pela Operação Lava Jato e pela crise na Petrobras, que impactaram severamente os investimentos e contratos do setor.

Durante a Naval Shore, evento que reuniu a indústria marítima no Rio de Janeiro, Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), anunciou que o setor atingiu a marca de 86 mil trabalhadores em julho, ultrapassando os 82,4 mil empregos registrados antes da crise de 2014.

A Petrobras, por meio do programa Mar Aberto, que visa a renovação e modernização de sua frota, tem sido um motor fundamental para essa recuperação. O programa já garantiu a contratação de 82 navios, com mais dois em processo e outros 12 previstos, totalizando 96 embarcações a serem construídas até 2032. Este plano de investimentos, orçado em R$ 32 bilhões, tem o potencial de criar mais de 20 mil empregos diretos em todo o país.

Em Santa Catarina, o impacto do programa é particularmente notável. O estado é peça-chave na produção de 42 embarcações, com investimentos estimados em R$ 12 bilhões e a geração de cerca de cinco mil vagas. Estaleiros como Detroit, em Itajaí, e Navship, em Navegantes, já iniciaram a fabricação dos primeiros navios. Adicionalmente, o estaleiro Indústria Naval Catarinense (INC), em Navegantes, foi contratado para construir 18 empurradores, um projeto que se estenderá por dois anos e criará 350 empregos diretos. A Navship, que empregava 1200 trabalhadores no final de 2023, abriu mais de 500 vagas neste ano para atender às novas encomendas, reforçando a capacidade produtiva da região e a consolidação de Itajaí e Navegantes como polos da construção naval, onde as empresas empregam aproximadamente quatro mil pessoas.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a importância de Santa Catarina, ressaltando a expectativa de geração de 15 mil empregos diretos e indiretos no estado, com um total de R$ 12,4 bilhões em investimentos. Ela elogiou a "qualidade classe mundial" das embarcações de apoio marítimo sendo construídas na região. O presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, enfatizou a necessidade de continuidade das políticas de Estado e dos projetos em andamento, independentemente de mudanças governamentais, para garantir o progresso sustentado do setor e da cadeia de fornecedores nacional. O governo federal projeta que a retomada total do setor poderá resultar em até 100 mil novas contratações, um reflexo do potencial brasileiro que já o colocou como o segundo maior construtor naval do mundo no início dos anos 1980.